O que você precisa saber sobre trombose venosa profunda

O que você precisa saber sobre trombose venosa profunda

Antes de falar sobre trombose venosa profunda (TVP), é importante comentar sobre algumas coisas. A circulação do corpo humano é dividida basicamente em duas partes principais: a arterial que leva o sangue do coração à ponta dos dedos das mãos e dos pés, e a venosa, que leva o sangue de volta ao coração. Nos membros inferiores, 90% da circulação venosa é formada pelo sistema venoso profundo e apenas 10% pelo superficial, onde estão englobadas as safenas.

A TVP é quando o sangue coagula dentro de uma veia profunda, o que acontece mais frequentemente em membros inferiores. Assim, este quadro interrompe a parte da circulação venosa mais importante do membro. O quadro normalmente é de dor intensa e inchaço súbito da perna afetada. A intensidade do sintoma está relacionada com a localização e extensão da trombose. Inclusive, em alguns casos que a TVP é maciça, comprometendo todo o sistema venoso profundo, o quadro pode se tornar dramático, até com risco de perda do membro. Ainda bem que estes casos são exceções!

Várias podem ser as causas da TVP: imobilização, após cirurgias de médio e grande porte (principalmente ortopédicas), pós-parto, mulheres fumantes que fazem uso de anticoncepcional. Existem pessoas que nascem com algumas alterações que podem facilitar o aparecimento da TVP, que são as chamadas trombofilias e que devem ser investigadas por exame de sangue. O câncer, por alterar o sistema de coagulação em alguns casos, pode levar a TVP, mesmo antes de ter o seu diagnóstico. Assim, a TVP pode ser o primeiro sinal de um câncer ainda não dectado.

Você sabia que nas viagens de avião acima de 8h, um estudo comprovou que 0,5% dos passageiros evoluem com trombose venosa profunda? Ou seja, a cada 200 pessoas, uma irá ter TVP! Como na maioria dos casos essa trombose compromete segmentos pequenos de veia, este quadro passa despercebido, mas pode evoluir com complicações, inclusive embolia pulmonar, quando uma parte do coágulo da perna se desprende e vai para o pulmão, o que pode levar à morte súbita, caso o comprometimento pulmonar seja extenso.

Como prevenir esta complicação? Os estudos estão muito avançados neste sentido! Nas viagens de avião acima de 4h, mas principalmente quando ultrapassam 8h, o uso da meia elástica até o joelho com 20-30 mmHg de compressão é a única forma comprovada de prevenção da TVP. A meia elástica e deambulação precoce também faz parte do protocolo de profilaxia de algumas cirurgias, associado, muitas vezes, ao uso de anticoagulantes por um tempo determinado.

Por outro lado, quando a TVP já está instalada, seu tratamento é o uso de anticoagulante e meia elástica, que deve ser iniciada o quanto antes, para se evitar as complicações imediatas e tardias. Dentro das complicações, a mais temida é a embolia pulmonar citada anteriormente.

Antigamente, os anticoagulantes orais tinham muitos efeitos colaterais. Havia maior possibilidade de sangramento, sendo necessário controle periódico da sua dosagem com exames laboratoriais. As interações medicamentosas eram frequentes, tanto aumentando como diminuindo seus efeitos. Como estes anticoagulantes eram antivitamina K, vários alimentos ricos nesta vitamina interferiam no resultado destas drogas. Felizmente, os anticoagulantes mais modernos não possuem esta interação com remédios e alimentos, não possuindo necessidade de controle laboratorial e com risco de sangramento muito menor.

Portanto, na TVP é muito importante o tratamento correto e imediato, assim como a pesquisa da causa dessa doença. Procure sempre seu Cirurgião Vascular.

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Por Dr. Kleber Fabbri

Cirurgião Vascular
CRM: 73550

Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular aprovado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

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